sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Mais um texto sobre o fim da corrupção.
Sabe, era carnaval? Eu havia já feito as minhas prendas; ligado para a minha namorada e desejado boas festas, já havia dado a rezadinha básica pelos amados e já afinal, tinha pagado os meus respeitos à família brasileira pela definição do Houaiss. Afinal, era hora de sair de casa e dar aquela pulada com os olhos, porque afinal eu não pulo carnaval, eu apenas fico olhando outros pularem por mim e assim eu penso que pulei também. É mentira, hora outra vêm uns pulinhos e afinal, eu é que não gosto de admitir, o sangue que corre na veia é axezeiro mesmo que tenha me esforçado para ser "do rock" ou "alternativo" desde algum tempo. Mas não dá, Bel Marques atinge um quê de corda do meu coração que apenas ele pode tocar. Contudo, é uma nota cuja duração vai pouco cultivada em meu corpo, que contudo, meus ouvidos clamam por ouvir no carnaval e eu na rua pular com chinela de dedo. Muita gente jovem reunida e vários blocos passam pela cidade inteira, tenho a sorte de minha rua encher-se de 300 pessoas hora ou outra neste carnaval. Por onde as pessoas passam; fica o rastro de higiene. Mesmo. Algumas pessoas abastadas mandaram colocar mais banheiros químicos para não passar pelo desconforto de atentado ao pudor e também ao vandalismo público; tem lixo aqui lixo acolá, isto é, era isso que era possível. E ali, aquele homem que queria agarrar o bloco sem ter pago? Que afinal depois de um; mas meu filho eu não estou bêbado eu estou bebendo é cerveja sem álcool, aqui você pode pagar com o crediário, basta dar o telefone e o cpf. E diga lá que o homem que queria tresloucar e festejar aderiu à prenda de pagar muitos dinheiros pelo bloco? Afinal, o bloco arrecadava para que as pessoas que nele tocassem; os bairros beneficiassem com o dinheiro arrecadado. O dinheiro ía para os banheiros químicos; para os tocadores e para os líderes de comunidade dos bairros que passavam. Afinal é carnaval né? Pode tudo! Os líderes de comunidade uma vez com o dinheiro repartiam em compras para pequenas hortas públicas e iniciativas com trabalho de voluntariado. Era uma dita maravilha. Mas veja, é aquele homem, ele é o filho do Juiz! Ele quer entrar de camarote na festa que decidiu não ter camarote, ele quer pagar pra ficar perto da atração, ele quer fazer a sua vontade por cima dos outros! Alguém arredio com nariz de palhaço gritou lá da frente; meu filho chegue cedo, que aqui quando a gente bebe parece que tá tudo é no mesmo lugar! Eu tô na frente e nem sei que tô na frente ou é atrás ou pela esquerda ou pela direita. O filho de Juiz com a resposta virtuosa teve a cara avermelhada; pois troque de lugar comigo então! E o palhaço disse; meu filho você quer ser palhaço? Eu mesmo quero não! Eu hein, fique aí na sua e eu na minha! E o palhaço continuou; Venha animar aqui o trio com alegria, que hoje é dia santo e a gente bebe afinal pra festejar essa putaria, disse rimando. Olha lá a fé! Levantou-se um cristão arretado com a cruz na mão, e gritava, É, água mineral, água mineral, água mineral! Passava-se na fileira do bloco; precisava ter ingresso para entrar e era só dar para o tal do ministro do folclore todo ali atrás, aquele rapaz que está vestido de mímico, que pode entrar, ah, quer saber onde pega? Basta falar com o rapaz que está do lado dele e pedir um ingresso, e disseram, mas ôxe, se é só pegar com eles e então dar de volta eu não posso entrar de qualquer jeito, então porquê eu num entro aqui logo, e a resposta da dita interrogada foi; mas ôxe, é Carnaval, pode tudo, até fazer direito! E a garota foi na fila para pegar o ingresso; mas olha, ela não joga fora o ingresso cortado e carimbado, ela guardou no bolso! É Carnaval, pode tudo, até fazer direito! Mas olhá, é o júri do Carnaval, todo mundo sambou e vai receber, que nota é essa que nota esse bloco maravilhoso crente e descrente merece? Eita, todos os blocos da cidade estão reunidos; vamos pelo primeiro critério de avaliação: espontaneidade, e todo mundo urrou, EEEEEAAAAA e aplaudiu. Pelo segundo critério de avaliação; qual é a continuação da marchinha, Água mineral, Água Mineral, Água mineral. O cristão arretado levanta a Cruz, e fala, do Candeal, Você vai ficar legal! Mas que ótimo meu senhor, tu acertastes, agora, para quem tu quer que os pontos vão, para que bloco? O Cristão diz que os pontos devem ir para todo mundo porque todo mundo ouviu água mineral. O juiz franziu o cenho, e anotou alguma coisa, que um pequeno garoto leu para todos no microfone: Gravíssimo, todas as escolas estão empatadas! Quem é que vai ganhar este ano? E perguntou: aqui, galera, quem é que foi desagradado aqui no Carnaval, metade das pessoas levantaram as mãos. Quem aqui é que foi injuriado pelos outros levante as mãos, e ninguém levantou as mãos. E minha nossa Senhora, estão todos empatados! Quem aqui é que vendeu coisa que num devia? E metade das pessoas levantaram os braços. E quem comprou? Quase a outra metade das pessoas levantaram os braços. Ótimo, um critério para desempate, quem comprou coisa que num devia, elejam um representante e venham até mim. Vieram quatro, um de cada bloco. O discurso foi o seguinte; é, nós não deveríamos ter comprado, foi mal aí. A gente vai pagar isso aí com trabalho voluntário ao longo dos anos; vamos ver aí com as nossas empresas para melhorar a situação de quem vendeu o que não devia aí, ó. Lutar aí nessa legislação pela segurança pública das pessoas que não deviam e acabaram fazendo isso aí ô. A presidente da banca do júri cortou rapidamente a ladainha; ótimo que vocês sabem, o plano de autonomia de vocês requer que vocês preencham aqui e aqui e aqui para que vocês façam o trabalho de forma como queira. Agora vão pular, porque no Carnaval tudo pode, até fazer direito!
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