quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O carcinoma da universitas,

Não é brincadeira quando falo que estou com os pés bem firmados no chão. Sonho com a minha boca machucada, e uso o mesmo nome da doença cutânea para falar de uma anomalia no tecido da Universitas. Pra mim sonho é realidade e por isso chão. Pois bem, não é novidade o fato de que a Universidade, se focada, pode ter participação na realização de situações estressoras. Se colocássemos uma luz sobre ela, ao menos no que diz respeito ao ambiente em que imagino, veríamos uma pluralidade de individualidades sendo tratadas da mesma maneira e isto pode levar ao adoecimento das pessoas. Seus corpos múltiplos com as mais variadas capacidades de dispersão distintas voam no pequeno espaço da mesma sala. Quero dizer que tratar corujas e lebres da mesma maneira é fato estranho pra um lugar tão culto e erudito, e porquê não ser saudável se tem em suas mãos o conhecimento para realizar panaceias e estabelecer universos mais bem frouxos?
É da opinião do colunista que a Universitas é uma túnica de tecido abrasivo, capaz de fazer queimaduras ou fatigar a pele dos que não reconhecem a flexibilidade do tecido da roupa que estão vestindo. Algumas tarefas pedem que se estiquem os braços ou carreguem pedras para acima de um morro, à custo da saúde dos braços e pulmões de pessoas que estudam sobre braços e pulmões. Preocupo-me com as pessoas que não são capazes de obedecer o ritmo da coxa forte que corre da Universitas, e o pé cai torto e logo o corpo tomba inteiro. Preocupo-me com as mesmas pessoas que se confundem no linguajar científico, no linguajar técnico ao trocar o seu precioso arcabouço do seu senso comum por uma ciência que pode comprovar fatos do senso comum, e que por vezes, demorou muito para chegar ao nosso senso comum, principalmente sobre as descobertas do Sol que alguns até falam que é o Sol da Consciência. É da opinião do colunista que há talentos que plantamos no chão árido de nossa terra e insistimos em plantar e plantar e plantar na colheita, e a pele resseca e o chão racha e abre e as sementes não germinam, esperando por chuvas que são difíceis ou sobrecarregadoras para o corpo trabalhador gerar. O corpo possui pouco tempo para suar, chorar e descansar. E o descanso é onde os músculos se regeneram e podem crescer - se protegendo da destruição. Os horários das universidades preenchem grades curriculares de 4h diárias semanais com carga de leitura de 1 a 2h no mínimo e desconsidera a locomoção e outras atividades de seus alunos. Um estudo meditativo que exige o engajamento do espírito, seja lá como se chama, das faculdades mentais, exige uma disciplina rígida - uma ética ou um código da parte do aluno que algumas vezes não é bem explicado quando estes adentram o curso. Identifico isto pessoalmente como a identificação em um  uniforme, com o pouco espaço para a acomodação e a sensibilização do estudante.
Solta as amarras, Universitas, deixa o teu homem, mulher, trans e queers chorarem e suarem o quanto querem. O teu exercício nós fazemos no mundo, com tua túnica. Carregamos a tocha do teu conhecimento dentro dos nossos corações no dia em que nascemos, e graças a nossa palha és capaz de acender, estávamos prontos para adquirir um fogo qual fosse. Segurá-lo perto demasiado do rosto, ou carregar a tocha quando está de dia são inadimplências ou faltas de cautela muito simples mas que acontecem frequentemente. Trás tutores para nos ajudar com os fogos, guia-nos para que não nos apaguemos, ou para que não ateemos fogo em nós mesmos. Ajuda ao fogo virar luz mais uma vez, e com tua extensão devolve o teu saber ao mundo e nele obra, e cuida dos teus trabalhadores com carinho. Janta conosco, Universitas, deita-se sob as estrelas conosco, Universitas. Não tire as nossas mãos dos ombros que massageiam os machucados para invocar-nos a chamados desnecessários ou de achar a agulha no palheiro com a nossa tocha. Sê prudente e ajuda na luta e na escolha da luta dos teus pupilos, cuida-nos, ajuda-nos com palha ou planta fresca que se põe com água fria por cada aluno nas próprias feridas. Ensina-os a disciplina do cuidado. Deixem-nos cuidar para sermos cuidadores.



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